Poesia de 30

A poesia de 30 reflete sobre o sentido de estar no mundo. Tem uma grande preocupação com a renovação da linguagem, continuando os feitos da geração predecessora. Aborda a relação entre o “eu” e o mundo, as angústias relacionadas ao ser humano e tem uma forte dimensão social. Os principais representantes da poesia são: Cecília Meirelles, Vinicius de Moraes, Murilo Mendes, Jorge de Lima e Drummond.

Na poesia de Cecília Meirelles destaca-se a tendência espiritualista, ela valorizava a intuição e a emoção como formas de interpretar o mundo. Utiliza imagens da natureza em suas poesias, dando um sentimento de fuga e sonho aos poemas. Ela tratava muito da relação entre o efêmero e o eterno, utilizava-se de fatos históricos para mostrar a efemeridade das coisas, ao mesmo tempo em que desenvolvia temas eternos dentro desses acontecimentos. Também falava de amor e da fugacidade das coisas.

Nas primeiras obras de Vinicius de Moraes, há uma presença da religiosidade e da angústia associada à oscilação entre o material e o espiritual. Aos poucos foi se focando em aspectos do cotidiano e no amor. Tinha uma influência da poesia de camões, expressa na tentava de analisar o amor, na preferência pelo soneto, também no uso de antíteses para expor a contradição próprias dos sentimentos. Apresenta o amor como poderoso e fugaz.

Murilo Mendes, no início de sua produção, tem o mesmo olhar irreverente da geração anterior, mas também se inspira na vanguarda surrealista. Teve um estilo próprio, misturando o surrealismo com imagens do catolicismo. O sentido da vida e a consciência social estão associadas a espiritualidade.

Jorge de Lima começou sua carreira poética no parnasianismo e foi, gradualmente, aderindo ao modernismo. Destaca-se na poesia que fala sobre a condição do negro em sociedade, criticando a tortura física e psicológica que sofriam. Também vê a poesia pela lente da religiosidade, como Murilo Mendes, os dois foram próximos.

Drummond de Andrade

O escritor nasceu em Itabira, estudou em um colégio de jesuítas, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. Aos 26 anos publicou “No meio do Caminho”, o poema causou bastante polêmica. De um lado, os modernistas o reconheceram pela estética ousada e transgressora, do outro, a opinião pública via o poema como um desrespeito à “boa literatura” do passado. Dentre os temas abordados pelo poeta, os mais comuns envolvem a reflexão sobre o que é o ser humano, o que significa fazer parte da humanidade e como combater as injustiças sociais.

A primeira fase de sua poesia é comumente chamada de fase gauche. Ela representa um Drummond em conflito. É marcada por um profundo pessimismo, que leva o eu lírico ao isolamento. Apesar da consciência da precariedade do isolacionismo, ele não vê maneira de ultrapassar essa condição, também não consegue ver no mundo um lugar para si, devido a isso, há uma dificuldade de se comunicar com o leitor por meio da poesia, uma das marcas dessa fase.

Na segunda fase, Drummond se vê diante da ditadura Vargas, por isso decide fazer uma poesia de engajamento político. Rejeita a incomunicabilidade e o isolamento. As abordagens variam entre críticas sutis e explícitas.

Em sua terceira fase, a poesia do poeta é marcada pela decepção dos efeitos de sua empreitada social. Drummond volta ao pessimismo irônico e a incomunicabilidade com ainda mais força. Em sua poesia pessimista, fala de temas filosóficos, metafísicos, niilistas, com uma forma clássica. Já do outro lado, tem uma forma experimental e jocosa, com influência do concretismo.

A quarta fase é uma que aborda temas já antes tratados, como o sentido da própria poesia, fala de temas sociais e também relembra a fase gauche, mostrando-se ciente de sua história poética. Relembra da própria infância, de Itabira, das experiências profissionais. É uma fase memorial de sua própria vida.

Após sua morte, poemas jamais publicados vem a público, é uma poesia diferente, que aborda temas eróticos de maneira elegante e explícita.

Prosa de 30

A escrita regionalista ou neorrealista, predominante entre os maiores escritores da época, é uma tentativa de analisar o psicológico das personagens e a maneira como o mesmo é formado. Nas obras, o meio em que vivem os indivíduos geralmente molda sua forma de pensar, deixando pouca ou nenhuma escolha quanto a seu destino. Os autores tendem a ter um cuidado de retratar fielmente a linguagem utilizada de fato na região retratada.

Graciliano Ramos tinha uma linguagem seca, tentava ao máximo de suas habilidades ser conciso, expressando apenas aquilo que julgava necessário. Dizia que não descreveria a cor de uma cadeira se isso não fosse a característica definidora do objeto. Seu cuidado com a palavra tornava seus textos viscerais, mesmo quando abordava temas emotivos. Graciliano também tinha em sua escrita fortes críticas sociais, presentes em todas as obras do autor.

A prosa de Rachel de Queiroz pode ser dividida em duas fases. A primeira, política, social e engajada, de sua época como membro do Partido Comunista. A segunda, após sua saída da prisão, desiludida com a causa, fase mais focada no psicológico.

É atribuído a José Lins do Rego a invenção de um novo romance moderno brasileiro. Tinha uma simplicidade linguística, não deixando de lado a técnica na descrição dos estados psicológicos de seus personagens. Descreveu com maestria a decadência dos engenhos de açúcar, assim como a decadência daqueles que dependiam do sistema. O fez em 4 livros, sob todas as perspectivas. Mais tarde sintetizou as obras em “Fogo-morto”, sua obra máxima. Também se aventurou, falando do cangaço, do misticismo e da seca, mas não teve tanto sucesso.

Jorge Amado começou escrevendo romances panfletários, era membro do Partido Comunista, influenciado por Rachel de Queiroz. Em suas primeiras obras tratava do bem contra o mal, os tipos marginais como vítimas do sistema opressor. A partir de 1958, afastou-se das questões sociais, focou-se em escrever romances de costume, explorou cada vez mais o tema do amor. Era o autor mais vendido até o “Fenômeno Paulo Coelho”.